quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Hoje eu vi a fome
suspensa no silêncio
Jorrando a morte em prestação
Viajando não sei ver isto não

Minha boca apodrece
E compartilha poesia
Seu mal hálito lhe mostra
O que a rosa não faria

Sou caixeira andarilha
Sem rumo, nem milagre
A garganta não me cala
Jazo detrás do silêncio
Pássaros voam com a verdade.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Vagueio incerta
Sem caminhos,
Perdida em sensação,
Mas é a tal incerteza
Que me aponta a direção.

Eis em mim só confusão
E nada te ofereço
A palavra repousa
Mas do sorriso não abro mão
Pois ele esconde minha oração...

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

A louca saudade

Hoje a loucura me tomou;
É como se me dissesse
“rabisca a tua insanidade”
É que nesse mundo a razão tem longo espaço
E a loucura é uma fuga.

Foi então que em verso e rima
“põe tua loucura pra fora”
A saudade me dizia
Saudade nem sei do que
Afinal de contas
A loucura não é feita de porquês.

A saudade que eu sinto
Não é essa poesia
Pois não é feita de ritmo
Nem precisa ser verdade
Pois se estais tão perto
Quem me explica essa saudade?

Além das cortinas ela se esconde
No teu doce sorriso e atrás do horizonte
Ela é a música que cabe em ti
É a esperança que sorri.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

O tempo

(para uma amiga especial)

A ressaca do mar o tempo leva
E a chuva que lava os sentidos
Amanhã é sol
Pirraça do tempo
Que me fez tão só.

Pirraça da dor
Que não devia estar presente
E não está na poesia
É dor essa que se sente.

Mas esse tal de tempo
Que nunca vai embora
Ele passa, passa e a chuva leva,
E como a ressaca do mar
A minha dor não demora.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

A sonhadora

Faltam-me as palavras para descrever o sono manso
O mundo lá fora não atiça minhas pálpebras
E dessa angústia eu me canso.

Canso-me dos desencontros
Das verdades sem poesia
Do sorriso sem alegria
Desse caos em sintonia.

E no limite disso tudo
Eu hei de me perder no escuro
Que vem e chega
E vai acalmando
Tudo aquilo sem encanto.

E o sol já vem chegando
E aquele mar vai me mostrando
Que sonhar é um encontro
Dessas almas em descanso.

Pois se a vida não me dá a mão
É de olhos fechados que eu encontro a razão
É como diz o poeta que sonhar é preciso.
E quando aquele líquido amargo e quente
Percorre a minha garganta ao despertar
Dou-me conta disto.